Qual a moeda mais cara do mundo? Essa é a pergunta que sem dúvida todo colecionador e numismata já fez alguma vez na vida e para não restar dúvidas, no artigo de hoje traremos a resposta definitiva para essa pergunta.

O artigo surgiu depois que publicamos o artigo sobre as 10 moedas mais raras e valiosas do mundo, várias pessoas entraram em contato comigo querendo saber mais detalhes sobre a moeda mais cara ou valiosa da lista e porque ela foi vendida por um valor tão alto.

Estamos falando da moeda de 1794 Flowing Hair Silver Dollar, a única conhecida do tipo, considerada a primeira moeda de dólar cunhada pelos Estados Unidos, com raridade-4 e que possui a marca do silver plug, o Specimen-66 certificado pela PCGS.

Ufa, tudo isso para definir uma moeda? Sim! Essa é considerada a moeda mais cara ou valiosa do mundo, isso se levarmos em consideração somente moedas que foram vendidas através de leilões públicos.

Eu sei que existe outra moeda com avaliação superior (vamos falar sobre ela em outro artigo), mas o nosso foco é essa moeda em questão.

Mas antes de te apresentar a imagem da moeda mais cara do mundo, um detalhe que precisamos deixar claro é: o mais importante na moeda não é seu valor, mas sim sua raridade. E, essa mudança de mindset, do valor para a raridade, é algo que você vai conquistando quando começa a evoluir seu perfil de Colecionador para Numismata (falamos mais sobre esses perfis nesse artigo).

Alguns dos fatores que determinam a raridade de uma moeda são: a sua importância histórica, o seu estado de conservação e a população dessa moeda, ou seja, quantas delas sobreviveram ao longo do tempo, alguns dos quais já falamos no artigo "Valor de moedas antigas 10 dicas antes de perguntar a alguém".

Para o verdadeiro numismata, as pessoas que queremos formar com o Collectgram, não é a cifra dada no momento da negociação da moeda o mais importante, mas o quão rara é a moeda e a história por trás da moeda.

Então, ser você quer ser um numismata, antes de ir para o final do artigo ver o valor que a moeda mais rara e valiosa do mundo foi negociada, leia a história da moeda, entenda a sua importância e adquira conteúdo para dizer para outras pessoas o quanto a numismática é interessante.

A história por trás da moeda mais rara e valiosa do mundo

Antes da promulgação da Lei de Cunhagem dos Estados Unidos de 1792, várias moedas circulavam pelas colônias e, mais tarde, pelos estados. Algumas moedas foram produzidas pelas próprias colônias e estados, como Massachusetts, Connecticut e New Jersey, e algumas foram produzidas por países estrangeiros. Na verdade, moedas estrangeiras foram aceitas como moeda legal nos Estados Unidos até meados do século XIX.

Ao se deparar com a questão de se os EUA deveriam considerar a possibilidade de produzir suas próprias moedas, o Congresso recebeu várias propostas - incluindo um contrato proposto por uma Casa da Moeda de outro país já estabelecida, que se gloriava por suas habilidades em produzir moedas de alta qualidade a preços baixos.

O secretário de estado Thomas Jefferson foi designado para avaliar essa proposta, e seu relatório ao Congresso em 14 de abril de 1790 foi muito eloquente. Embora reconhecendo que os Estados Unidos precisariam estabelecer sua própria cunhagem ao custo de algum investimento, e que a produção inicial dessa casa da moeda poderia ser de qualidade inferior, Jefferson foi sucinto ao recomendar que a proposta estrangeira fosse recusada, afirmando que "A cunhagem é uma atribuição peculiarmente soberana. Transferir seu exercício para outro país, é submeter-se a outra soberania".

Jefferson foi igualmente franco sobre o seu apoio ao uso do dólar como a unidade monetária básica da moeda para os Estados Unidos. Em seu relatório ao Congresso, ele declarou:

"Eu questiono se uma medida comum de tamanho mais conveniente do que o dólar poderia ser proposta. Os valores de 100, 1.000, 10.000 dólares, são bem mais facilmente estimados pela mente; assim é o da décima ou centésimo de um dólar".

Ele passou a descrever o quão confuso outras unidades monetárias poderiam ser, afirmando:

"Todo mundo conhece a facilidade da aritmética decimal. Cada um lembra que, quando aprendia aritmética de dinheiro, costumava ficar intrigado com a adição dos farthings (uma antiga unidade monetária do Reino Unido, equivalente a um quarto de um centavo), pegando os quatro e carregando-os; acrescentando o pence, tirando os twelves e carregando-os acrescentando os shillings, tirando os twentieths e levando-os adiante, mas quando chegam nos pounds, quando tem apenas dez para levar adiante, é fácil e livre de erros aritméticos.

A maior parte das pessoas tem os conhecimentos de quando eram garotos de escola durante a vida. Essas pequenas complexidades são sempre grandes para elas, e até cabeças matemáticas sentem alívio quando tem que escolher entre um processo mais fácil e um mais difícil de substituir. Certamente, em todos os casos em que somos livres para escolher entre modos de operação fáceis e difíceis, o mais racional é escolher o fácil.

O financista, portanto, em seu relatório, bem propôs que nossas moedas devem estar em proporções decimais um para o outro. Se adotarmos o dólar como nossa unidade monetária, devemos cunhar quatro moedas, uma de ouro, duas de prata e uma de cobre. (1) Uma peça de ouro, igual em valor a dez dólares; (2) A unidade, ou dólar em si, de prata; (3) O décimo de um dólar, de prata também; (4) O centésimo de um dólar, de cobre".

Dito isto, sem dúvida, para os fundadores dos Estados Unidos, a produção doméstica de moedas, e mais essencial, a produção de dólares de prata, era vista como de grande importância histórica nacional.

Assim, as moedas a serem produzidas naquele momento não seriam apenas ferramentas metálicas usadas para comércio, mas representavam para os Fundadores a circulação e a declaração para o mundo da soberania dos Estados Unidos.

A criação do dólar de 1794

No início de 1794, o gravador Robert Scot começou a preparar os desenhos para o dólar de prata.

O desenho inicial de Scot mostrava um busto da Liberdade no anverso, enquanto no reverso dele exibia uma águia, ambos exigidos pela Lei de Cunhagem de 1792.

O desenho de Scot seguiu a mesma linha do seu desenho para o centavo, mas o Barrete frígio, uma espécie de gorro, touca ou carapuça originalmente utilizada pelos moradores da Frígia, antiga região da Ásia Menor onde está situada hoje a Turquia, foi retirado do desenho.

Posteriormente, funcionários do governo instruíram a Scot a incluir uma coroa de flores ao redor da águia e a mover a legenda do reverso para a borda da moeda.
Depois de receber aprovação, Scot começou a gravar as matrizes para a nova moeda de dólar de prata.

Um cuidado extra foi dado durante a gravação desta moeda, porque o dólar seria a maior moeda americana, e assim seria mais cuidadosamente examinada por outros países, essa era uma preocupação de os Estados Unidos apresentar-se bem perante as outras nações.

As letras da legenda foram trabalhadas por Frederick Geiger, que trabalhou como tipógrafo para vários jornais e revistas da época.

Depois que as matrizes foram criadas, várias peças de teste foram cunhadas em cobre. As autoridades decidiram acrescentar no anverso 15 estrelas no rebordo da moeda, representando os quinze estados que haviam ratificado a Constituição até aquele momento, e a Liberdade com o rosto voltada para a direita.

A moeda de dólar mais valiosa do mundo

Como já falamos no início do artigo, é o exemplar dessa primeira moeda americana, que apresentamos na imagem abaixo, que podemos dizer ser a moeda mais rara e valiosa já vendida no mercado público.

1794 Flowing Hair Silver Dollar: a moeda mais cara já vendida em leilão (Imagem: PCGS Coin Facts)

A descrição completa da moeda é "1794 Flowing Hair Silver Dollar. B-1, BB-1, the only known dies. Rarity-4. BB Die State I. Silver Plug. Specimen-66 (PCGS). CAC." e pode ser traduzido literalmente como "Dólar de Prata de 1794 Flowing Hair. B-1, BB-1, o único cunho conhecido. Raridade-4. Estado de Cunho BB I. Com plug de prata. Specimen-66 (PCGS). CAC.". Para traduzir a sopa de letrinhas, leia a última seção do artigo.

É possível rastrear a procedência ou pedigree dessa moeda desde a coleção Virgil Brand e a primeira venda pública em 1945 até a aquisição da mesma através de um acordo privado de $ 7.850.000 (sete milhões e oitocentos mil dólares) entre Steve Contursi e a Cardinal Collection em 2010.

Mas esse não seria o mais alto valor pago nessa moeda e quando as notícias sobre a venda da mesma pela Cardinal Collection se espalharam pela comunidade numismática, na verdade se estendendo por todo o mundo, esse tesouro histórico em particular atraiu a atenção por todos os lados.

Como o melhor exemplo conhecido do primeiro dólar de prata dos Estados Unidos, esta peça é um marco por excelência, uma moeda única que pode ter sido o primeiro dólar de prata cunhado pelos Estados Unidos.

O anúncio da venda dessa moeda em leilão público foi tão único, que o mesmo foi tratado como algo que definia o termo "oportunidade única na vida".

Para explicar melhor como a oportunidade de comprar uma peça dessa é única, se uma dessas aparecer para você comprar e você perder a oportunidade, ela pode ser comprada por uma empresa e entrar para uma coleção institucional, e pode ser que não reapareça no mercado novamente durante toda sua vida, se é que algum dia ela volte ao mercado.

A moeda é de fato uma lenda, única de seu tipo, e possui grande significado histórico e numismático. É certamente uma das maiores raridades da numismática americana, isso dito não por mim, mas pela Stack’s Bowers Galleries, uma das mais prestigiadas do mundo que ficou responsável pelo seu leilão.

De acordo com a PCGS, de todos os estados de conservação desse tipo de moeda já certificadas por eles, só existe essa moeda com a designação de Specimen, utilizado para designar moedas cunhadas de 1792 a 1816 que apresentam muitas das características da cunhagem Proof.

Além disso, essa moeda possui a classificação MS-66 (Mint State) da Escala Sheldon, ou seja, considerada uma moeda Flor de Cunho quase perfeita, haja vista que a classificação MS vai de MS-60 a MS-70.

O que são os B1, BB-1, BB Die State I, Silver Plug e CAC?

Você deve ter percebido na descrição da moeda tem uma série de siglas e detalhes mais técnicos que não encontramos nas descrições de nossas moedas (com exceção de alguns catálogos de 960 réis como do Lupércio).

O código B1 é a referência para um tipo de classificação de variantes de moedas de dólar que foi criada em 1950, quando Milford H. Bolender publicou um livro de referências baseado em sua própria coleção especializada de Bust Dollars.

Ele descreveu e ilustrou cada variante conhecida na época e atribuiu um código com a letra B seguido de números para cada moeda. O livro foi extensivamente revisado pelo famoso colecionador Jules Reiver em 1988.

Um segundo livro de referência, Silver Dollars & Trade Dollars of the United States: A Complete Encyclopedia, Vol. One, escrito em 1993 por Q. David Bowers e Mark Borckardt corrigiu e atualizou o livro de Bolender. A partir daí, cada variante conhecida recebeu um código com as letras BB seguido de números.

Se você acha demais a classificação de variantes, há ainda a classificação do estado de conservação do cunho (Die State) que determina a variação na aparência da moeda de acordo com o desgaste ou alteração dos cunhos usados na confecção da moeda.

Isso é identificado, por exemplo, pela presença ou ausência de fissuras que podem indicar o estado de conservação do cunho.

O Silver plug é aquela marca (ou "mancha") redonda no centro da moeda e que as vezes é encontrada também nos Silver Dollars de 1795.

A origem dessas marcas é um mistério, uma vez que saber com certeza a origem envolve conhecer o processo produção dessas primeiras moedas de dólar, mas a explicação lógica é bem convincente, veja:

A explicação é que esse plug foi adicionado nos discos para aumentar o teor da prata da moeda (título da prata). É sabido que o Diretor da Casa da Moeda, David Rittenhouse, havia ignorado a pureza da prata exigida pelo Congresso Americano (.8924+) e secretamente empregava uma referência de precisão de .900, adicionando mais 3,5 grãos de prata a cada moeda de dólar.

Outra especulação popular também é que durante as primeiras cunhagens, a Casa da Moeda experimentou usar chapas de prata mais leves e para alcançar o peso legal das moedas, inseriu plugs de prata nas chapas antes de cunhá-las.

Por fim, o CAC que aparece no final da descrição da moeda é a sigla para "Certified Acceptance Corporation" que determina um comum acordo entre as certificadoras PCGS e NGC quanto ao estado de conservação atribuído pela moeda, é como se fosse uma validação dupla da certificação por duas empresas diferentes.

Detalhes da venda

Se você está lendo esse parágrafo sem ler os anteriores, peço que se esforce um pouco mais no estudo numismático, saber a história das moedas é muito importante e vai evitar você passar vergonha ou deixar passar oportunidades de boas moedas em futuras compras.

Agora, se você leu tudo até aqui, é sinal que já é um numismata ou está chegando lá.

Pois bem, a moeda foi vendida às 09:00 do dia 22 de janeiro de 2016 por $10,016,875 (dez milhões, dezesseis mil e oitocentos e setenta e cinco dólares).

Bem, por hoje é só, deixe abaixo sua reação e um comentário sobre o que você achou do artigo.